Hoje estou cansada. Depois da semana académica, que já foi cansativa por si só, começou o estudo a sério e, apesar de ser ainda o 2º dia, sinto-me cansada. E, infelizmente, a minha vida não se resume ao estudo. A casa tem de ser limpa, alguém tem de fazer as refeições (o O. não as faz de certeza) e há ainda as aulas a que não posso faltar. Para além disso o O. tem insistido mais que o normal comigo relativamente ao sexo, o que, apesar de eu entender perfeitamente devido ao tempo que já passou, não podia vir em pior altura. Eu entendo perfeitamente a ansiedade dele, mas eu não tenho vontade nenhuma, por mais que gostasse de ter e, juntamente aos problemas ginecológicos que tenho... bem, digamos que é uma combinação terrível. Da última vez que fizemos amor, (já depois do último tratamento), ardeu-me imenso e não tirei qualquer prazer do acto. É claro que disfarcei. Compreendo a situação dele e também não o quero torturar. Ah, para mim o ideal seria esta relação, sem sexo. Eu amo-o muito, a nossa relação é esplêndida; há amor, compreensão, respeito, companheirismo, carinho, enfim, tudo o que é preciso. Apenas o sexo não é como seria de esperar. Nem sempre foi assim. Dantes eu era quase tão fogosa como ele mas, de um momento para o outro, a chama apagou. E não é defeito dele; eu simplesmente não sinto vontade. Se se passasse um mês, eu não sentiria diferença. Honestamente, já pensei que preferia que ele não tornasse a inisistir comigo e que arranjasse alguém por fora; e já pensei nisso muitas vezes. Mas não lhe posso dizer isso, ele sentir-se-ia rejeitado. Eu sei que para a maioria isto é incompreensível, mas a minha vida seria mais calma, sem o peso na minha cabeça a lembrar-me constantemente que o O. não anda contente com a nossa sexualidade e que a culpa é minha. Acredito que a nossa relação não vai resultar por causa deste problema, o que é uma pena porque em tudo o resto a nossa relação é perfeita.
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